6 de fevereiro de 2010

Sólido e fluido que se dissolvem num líquido.


Arrebata-me de súbito e com violência. Faz minhas pernas fraquejarem e minha voz se perder, deixa-me rouca, louca, faz-me exceder quanto é imaginável. Confunde minha cabeça.
Logo eu que sempre sou tão cheia de mim, leonina feroz, orgulhosa, galharda. Dona de meu próprio nariz imponente, figurado em ar boçal.

Acalenta-me como se eu fosse uma princesa, linda, prima. Como se o mundo todo fosse meu e as regras da vida fossem somente por mim elaboradas.
E eu recuo, como animal desconfiado que sou. Mas deixo a distancia que me convém. Manipulo o tempo e as ações para que os olhos não esqueçam que o foco deve permanecer em mim.

Conflito medonho que me enlaça a alma. De um lado e de outro há motivos suficientes para gostar, para ser plena. Para me entregar ao jogo de peito aberto, só para variar atitudes repetidas há anos.
Resta-me o impasse que surge enquanto entrelaço-me à boca sacana musicada de sol, e desejo vorazmente que o abraço gigante, o melhor e possuidor de meu bem querer, arranque-me com veemência das mãos melodiosas.

Isso acaba comigo.

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22 de janeiro de 2010

Vai Nessa



Feito um passarinho que vai pelo mundo seguindo a direção do vento, ela vai por ai.
Constrói ninhos com uma dedicação feroz, como se cada um fosse o ultimo. E se joga nessa morada, abusa do aconchego, suga todas as energias do lugar e se vai. Se vai feito bem-te-vi, com um coração batendo umas 1000 vezes por minuto, como quem enlouquece por novidade, como quem vive por novas alegrias.
E ela sorri linda quando faz residência. Entrega-se, distribui abraços calorosos, beijos alucinantes, palavras fortes e ferinas.
Com o tempo ela cansa, enfada da mesmice, enche a respiração de abuso, cala-se arrogante em um mundo no qual ninguém mais pode entrar, somente ela, ela e toda sua soberba.
É quando ela voa, sai em disparada e sem perder jamais a elegância. Monta em suas pernas compridas a procura de sequer uma alteração inesperada no andamento regular das coisas.
Quando ela pára, mesmo que por um segundo, já se sabe o porquê. Parou porque seu olho brilhou e ela admira o que exala qualidade de novo.
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14 de janeiro de 2010

Sonhos que ela gosta de sonhar



Cibele tinha dificuldades para acreditar no amor, mal fazia idéia das vezes que desacreditou nos sentimentos, por isso, contava nos dedos as vezes em que fez de sua crença a fé que movia seus dias.
Ela entendia o absurdo em achar extraordinário o interesse, o carinho e, sobretudo, o respeito, e admitia seu encantamento justificando o quão raro pode ser portar-se de tal maneira hoje em dia.
Cibele, pois, andava assim, risonha, como quem vive horas de lembranças em dois segundos de suspiro. Cantarolava durante o dia e entregava-se aos sonhos e fantasias durante a noite.
Como aviões que seguem rotas e planos, sua cabeça circulava entre nuvens. E fazendo delas seu destino Cibele viajava, planava.
Assim, os dias seguiam fantasiosos, com olhos brilhantes, sorrisos de canto de boca e a espera por um dia o qual Cibele ansiava viver.

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10 de janeiro de 2010

Justo



O seu rosto combina com as minhas idéias. Combina com minha forma de pensar e ver a vida. Combina com meu jeito, com minhas atitudes.
Seu rosto combina com o meu, pela força e objetividade. Combina com minha determinação.
Seu sorriso encaixa no meu, cabe na minha risada, mora na minha gargalhada.
Seus olhos combinam com o meu olhar. Seguem e entrelaçam por caminhos paralelos ou transversais.
Seu corpo combina com o meu. Como corpos que se completam e suprem suas necessidades mutuamente.
Seus passos combinam com meus passos ávidos por aventura e experiências emocionantes.
Suas palavras completam as minhas. Seus pensamentos figuram minhas ações. Suas mãos modelam meus desejos.
No espelho vejo você. Vejo seu rosto que combina perfeitamente com cada uma das minhas idéias.

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31 de dezembro de 2009

Tons Sudestes



O sol cortante nesse ultimo dia do ano contradiz o ar gelado que atravessa a varanda do apartamento em São Paulo.
É bem verdade dizer que em Sampa tudo contradiz.
O verde visto do alto através da janela do avião é apenas um dos impactos, assim como o verde das áreas nobres da cidade. Esses contradizem com a selva de pedras do centro e dos bairros periféricos.
Por falar em periferia, o sorriso de seus moradores contradiz a arrogância enraizada em cada cidadão paulista. Suas casas conjugadas e coloridas contradizem os gigantescos edifícios do centro da cidade.
Ainda no centro, os belíssimos prédios históricos, conservados e restaurados para deleite dos amantes do passado, contradizem com a contemporaneidade reluzente da avenida mais incrível que eu já vi na vida, a Avenida Paulista.
Já as largas e inumeráveis rodovias contradizem os quilométricos engarrafamentos.

Suas linguagens urbanas, seus desenhos, graffiti e pichações que tanto me fascinam. A poluição visual e sonora. O ar pesado e com cheiro de gás carbônico, o cinza do céu e o marrom do sol. Tudo isso que me encanta por dimensão e expansão somado ao poderoso acervo de cada um de seus museus e à magnitude de seus parques.

Não existe parte em mim que não ame São Paulo. Por ser fantástica, por ser excêntrica, por ser infinita em informação.

Que o ano de 2010 iniciado nesse solo de opinião seja pleno e grandioso, assim como a diversidade cultural que me seduz nessa terra.
E que os meus desejos atinjam o céu, enquanto o beijo que vós me nordestes arranha céu da boca paulista.

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