Arrebata-me de súbito e com violência. Faz minhas pernas fraquejarem e minha voz se perder, deixa-me rouca, louca, faz-me exceder quanto é imaginável. Confunde minha cabeça.
Logo eu que sempre sou tão cheia de mim, leonina feroz, orgulhosa, galharda. Dona de meu próprio nariz imponente, figurado em ar boçal.
Acalenta-me como se eu fosse uma princesa, linda, prima. Como se o mundo todo fosse meu e as regras da vida fossem somente por mim elaboradas.
E eu recuo, como animal desconfiado que sou. Mas deixo a distancia que me convém. Manipulo o tempo e as ações para que os olhos não esqueçam que o foco deve permanecer em mim.
Conflito medonho que me enlaça a alma. De um lado e de outro há motivos suficientes para gostar, para ser plena. Para me entregar ao jogo de peito aberto, só para variar atitudes repetidas há anos.
Resta-me o impasse que surge enquanto entrelaço-me à boca sacana musicada de sol, e desejo vorazmente que o abraço gigante, o melhor e possuidor de meu bem querer, arranque-me com veemência das mãos melodiosas.
Isso acaba comigo.
.




